Rede Sentinela completa um ano e comparativo histórico registra aumento de 632,5% na incidência da cigarrinha-do-milho

A Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba) publicou o mais recente boletim de monitoramento da cigarrinha-do-milho, referente ao mês de agosto. O documento, desenvolvido pelos pesquisadores da Rede Sentinela de Monitoramento de Cigarrinha-do-Milho, traz importantes dados sobre a incidência da praga no Triângulo Mineiro e no norte de São Paulo.

A Rede Sentinela completou um ano de monitoramento ininterrupto das populações da cigarrinha, trabalho que precede a publicação do boletim. Esse marco representa uma evolução do projeto, pois permite, pela primeira vez, comparar diretamente o comportamento populacional da cigarrinha com o mesmo período do ciclo agrícola anterior, ampliando significativamente a capacidade de interpretação dos dados e de previsão do risco fitossanitário.

Os resultados de agosto evidenciam a continuidade da tendência de crescimento populacional, já observada nos boletins anteriores. O aspecto mais relevante deste boletim, entretanto, é o comparativo histórico. Considerando o mesmo mês do ano anterior, a Rede registrou um aumento de aproximadamente 632,5% na média de capturas, passando de 0,77 para 5,64 cigarrinhas por armadilha por dia.

A média regional atingiu 2,82 cigarrinhas por armadilha por dia, representando um aumento de aproximadamente 45% em relação ao levantamento da primeira quinzena de agosto de 2026, enquanto o pico observado na rede alcançou 191,60 cigarrinhas por armadilha, indicando aumento das populações. Uberlândia permanece concentrando as maiores populações da Rede, enquanto Uberaba, Barretos e Conquista mantêm capturas em níveis inferiores, porém com ocorrência contínua da espécie. Foi registrado apenas um exemplar de cigarrinha-africana em todas as armadilhas, indicando que a espécie permanece com ocorrência pontual e sem relevância na dinâmica populacional regional.

O aumento populacional observado às vésperas da safra de verão reforça a importância do monitoramento, da eliminação do milho voluntário (tiguera) e do planejamento da semeadura de híbridos, bem como do uso de produtos químicos e biológicos para o manejo do vetor nas primeiras áreas, a fim de reduzir o risco de disseminação dos enfezamentos.

A Rede Sentinela é uma iniciativa da Fazu, em parceria com as empresas JuliAgro, ColeAgro e a startup FitoWise. Cada ponto de monitoramento conta com uma armadilha da ColeAgro instalada próxima às lavouras de milho, com avaliações realizadas a cada 15 dias. A iniciativa também tem o apoio do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), da Epamig, da Algar Farming, da Agribela e da ABCZ.

O boletim está disponível no site fazu.br. Os dados interativos também podem ser acessados em: www.rede-sentinela.app.br.