O mercado da tecnologia aplicada ao agronegócio cresce a cada dia no Brasil. Termos como Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT), visão computacional e banco de dados agora passam a integrar o universo do produtor rural. Em Uberaba (MG), alunos do curso de Agrocomputação da Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba) uniram esses conceitos e desenvolveram uma armadilha eletrônica para a mariposa da broca-da-cana.
Criada para realizar o monitoramento automatizado de pragas agrícolas, a armadilha Spytrap, tem foco em mariposas macho (Diatraea saccharalis). A ferramenta indica para o produtor o momento em que ele tem que fazer o controle da praga, seja biológico ou químico. Assim, ganha-se tempo e precisão, diminuindo custos e aumentando a lucratividade. O aluno Jean Carlos Santos explica que a ideia surgiu em sala de aula e que a idealização e desenvolvimento da armadilha foi feita em equipe pela turma.
“No equipamento coloca-se fêmeas virgens para atrair machos adultos até a armadilha e conta com um sistema de captura de imagens associado a técnicas de visão computacional e Inteligência Artificial para realizar a análise dos insetos coletados. Como o comportamento dessa praga é predominantemente noturno, a armadilha registra os insetos atraídos durante a noite e realiza uma captura de imagem no início da manhã. Essa imagem é enviada para processamento, onde a Inteligência Artificial realiza a identificação e a contagem automática das mariposas presentes”, explica Jean.
Após a análise, os dados são transformados em informações úteis e disponibilizados em um dashboard de monitoramento, permitindo que produtores e técnicos acompanhem a presença e a evolução da praga de forma rápida e precisa. A principal vantagem da armadilha é justamente possibilitar a identificação precoce da praga na lavoura. Em vez de o produtor perceber a infestação apenas quando os danos já são visíveis, o sistema permite detectar a presença da mariposa nos estágios iniciais.
A armadilha foi validada e apresentada em sala de aula na última sexta-feira (26), na disciplina do professor Luan Odorizzi. “Hoje, no setor sucroenergético, o monitoramento de pragas ainda carece de tecnologias. Por mais que o setor tenha várias tecnologias de ponta sendo atualizadas, dentro do monitoramento ainda existe essa lacuna. Dessa forma, a armadilha vem exatamente para suprir essa necessidade,” ressalta o professor. Luan ainda pontua que existem algumas armadilhas no mercado, mas pelo elevado custo, acabam sendo de difícil acesso para os produtores e usinas. “Então, os alunos estão criando essa armadilha com a intenção dela ser mais barata e depender somente de energia fotovoltaica e que consiga ser utilizada offline”.
A ideia foi levantada no ano passado, durante as aulas do professor Janderson Cardoso. “O Projeto Integrador I foi ministrado no terceiro período, um desafio com o objetivo de estimular a aplicação prática dos conhecimentos já adquiridos ao longo dos primeiros períodos do curso. A ideia era que eles iniciassem um projeto utilizando Inteligência Artificial, integrando conteúdos já estudados com tecnologias atuais e de grande relevância para o mercado”.
“Embora a disciplina de Inteligência Artificial seja ofertada apenas no quarto período, o desafio permitiu que os alunos tivessem um primeiro contato com conceitos, metodologias e ferramentas da área. A proposta consistia em desenvolver uma solução capaz de identificar insetos ou outros organismos de interesse, independentemente de serem efetivamente pragas, proporcionando aos estudantes uma compreensão completa do ciclo de desenvolvimento de uma aplicação de IA”.
Além de Jean, o grupo envolvido no trabalho contou com os alunos Antônio Paulo Filho, Bruno Menezes, David Almeida, Flávio Gustavo, Jonatas Artagnan, Luiz Fernando Silva e Maria Luísa Rodrigues.

