Nesta segunda-feira (10), a Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba) divulgou o boletim de monitoramento da cigarrinha-do-milho, que abrange o Triângulo Mineiro e o Norte de São Paulo. Os dados são referentes ao mês de julho e indicam o cenário da praga durante este período de entressafra.
Os resultados indicam uma nova elevação da população regional da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis). A média geral passou de 56,48 para 76,78 cigarrinhas por armadilha, mantendo a tendência de crescimento observada desde maio, embora ainda permaneça abaixo do pico registrado em março. Esse comportamento evidencia que as populações do vetor permanecem ativas durante a entressafra, reforçando a importância do monitoramento contínuo.
Entre os municípios monitorados, Uberlândia (MG) segue concentrando as maiores densidades populacionais, registrando novo aumento em relação ao mês anterior e consolidando-se como a principal área de atenção da Rede Sentinela. A persistência de elevadas populações durante o período seco sugere a manutenção de condições favoráveis à sobrevivência do inseto, possivelmente associadas à disponibilidade de plantas hospedeiras, como milho-tiguera e cultivos irrigados, além da movimentação natural dos adultos entre áreas agrícolas.
Uberaba (MG) e Barretos (SP) também apresentaram incremento nas capturas em relação a junho, indicando aumento da ocorrência local, embora em intensidade significativamente inferior à observada em Uberlândia. Em Conquista (MG), por sua vez, foi registrada discreta redução da população, mantendo-se em níveis relativamente baixos quando comparados aos demais municípios. A ausência de registros de cigarrinha-africana (Leptodelphax maculigera) em todas as localidades monitoradas confirma que, até o momento, a espécie não apresenta participação relevante na dinâmica populacional regional.
A manutenção de fontes de alimento e abrigo, especialmente áreas com milho voluntário (tiguera), pode favorecer a sobrevivência do vetor e aumentar a pressão inicial de inóculo dos molicutes nas primeiras lavouras implantadas. A eliminação de plantas voluntárias e o monitoramento das áreas destinadas às primeiras semeaduras permanecem medidas fundamentais para reduzir o risco de enfezamentos.
A Rede Sentinela é uma iniciativa da Fazu em parceria com as empresas JuliAgro, ColeAgro e a startup FitoWise. Cada ponto de monitoramento conta com uma armadilha da ColeAgro instalada próxima às lavouras de milho, com avaliações realizadas a cada 15 dias. A iniciativa também tem o apoio do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), da Epamig, da Algar Farming e da ABCZ.
O boletim está disponível no site fazu.br. Os dados interativos também podem ser acessados em: www.rede-sentinela.app.br.
