Rede Sentinela alerta para riscos à safra 2026/27 apesar da queda de 97% nas cigarrinha-do-milho

Nesta sexta-feira (16), a Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba) divulgou o boletim de setembro da Rede Sentinela de Monitoramento da Cigarrinha-do-Milho. Elaborado pelos pesquisadores da iniciativa, o documento apresenta dados sobre a ocorrência da praga no Triângulo Mineiro e no norte de São Paulo, além de orientações para o manejo preventivo nas lavouras.

Em setembro, as capturas registraram 6,8 insetos por armadilha, considerando a soma das médias municipais. O índice representa uma queda de aproximadamente 97% em relação a agosto, quando foram registrados 222,8 insetos por armadilha, e de cerca de 88% na comparação com julho. O resultado interrompe a tendência de alta observada entre abril e julho e indica o encerramento do pico registrado em agosto.

Os pesquisadores, no entanto, ressaltam que os dados de setembro correspondem apenas à primeira quinzena do mês. Por isso, o resultado ainda não representa o cenário consolidado do período, que dependerá das avaliações da segunda quinzena.

A redução das capturas também está associada à diminuição da disponibilidade de plantas hospedeiras após o encerramento da colheita do milho safrinha. Em Uberlândia (MG), por exemplo, o milho tiguera — plantas voluntárias que nascem após a colheita — e outras plantas voluntárias concentraram 86% das capturas registradas em agosto. Com a redução desses hospedeiros, a tendência é de menor permanência dos insetos no sistema produtivo.

Queda nas capturas não significa redução do risco Apesar da diminuição expressiva dos registros, os pesquisadores alertam que o cenário exige atenção. O pico de capturas observado em agosto, especialmente em áreas com milho tiguera, indica potencial de disseminação dos agentes associados ao complexo de enfezamentos do milho, que inclui espiroplasma, fitoplasma e o vírus do raiado fino, para a safra 2026/27.

Os insetos adultos que permanecem em plantas voluntárias podem atuar como fonte de patógenos para os novos plantios. Por isso, setembro é considerado um período estratégico para o manejo, especialmente para a eliminação de plantas de milho tiguera antes da implantação da próxima safra.

A recomendação é manter o controle dessas plantas e intensificar o monitoramento da cigarrinha durante os estádios iniciais de desenvolvimento do milho, especialmente entre V2 e V8, quando as plantas estão mais suscetíveis à infecção.

O boletim também reforça a importância da identificação das espécies capturadas. Em agosto, foi registrada a presença de cigarrinha-africana em Uberlândia, com média de 0,10 inseto por armadilha. Embora não seja considerada uma praga-chave da cultura, seu possível papel na transmissão de patógenos ainda está em investigação. Por isso, a identificação morfológica sistemática dos insetos deve ser mantida nas próximas coletas.

Sobre a Rede Sentinela
A Rede Sentinela é uma iniciativa da Fazu, em parceria com as empresas JuliAgro e ColeAgro e a startup FitoWise. O monitoramento é realizado por meio de armadilhas da ColeAgro instaladas próximas às lavouras de milho, com avaliações a cada 15 dias. A iniciativa conta, ainda, com o apoio do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), da Epamig, da Algar Farming, da Agribela e da ABCZ.

O boletim completo está disponível no site fazu.br. Os dados interativos podem ser consultados em www.rede-sentinela.app.br.

Arquivos
Categorias