Estudantes vindos de 10 países escolhem Uberaba para cursar graduações nas áreas de Ciências Agrárias
O clima tropical, a posição geográfica estratégica e os avanços tecnológicos consolidaram o Brasil como referência mundial na agropecuária. O desenvolvimento do país caminha lado a lado com o fortalecimento do ensino superior, o que faz com que instituições brasileiras também ganhem destaque internacional.
A Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba), localizada em Uberaba (MG) e referência nas Ciências Agrárias, registrou um aumento de 60% no número de estudantes estrangeiros no último ano. Apenas neste semestre, quase 40 novos alunos vindos de outros países ingressaram na instituição. De acordo com dados da faculdade, 11% de todos os alunos de graduação são estrangeiros. Atualmente, a Fazu conta com estudantes da Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, México, Nicarágua, Panamá, Peru e Venezuela.
O curso de Zootecnia é o que concentra a maior presença internacional. Hoje, quatro em cada dez alunos do curso são estrangeiros, o equivalente a cerca de 40% dos estudantes. Um deles é Sebastian Castedo, natural de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, que está no sétimo período. Ele conta que sempre se interessou por animais de produção e viu na instituição uma oportunidade de ampliar sua formação. “No meu país, a Bolívia, a Fazu é bastante conhecida e bem recomendada, então vi nela uma grande oportunidade para minha formação profissional”.
Sociável e comunicativo, Sebastian também destaca o acolhimento que encontrou no Brasil.
“Existe muito respeito e amizade pelos brasileiros e muitas vezes nos tratam como se fôssemos irmãos. Isso é algo muito especial e faz a gente se sentir em casa, mesmo estando longe do nosso país”.
Além da formação acadêmica, Sebastian também mantém uma página nas redes sociais sobre Zootecnia chamada Zootecast, onde compartilha experiências da vida universitária e conteúdos sobre a área. “É resultado das experiências e das pessoas que conheci aqui”.
Criada pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), a Fazu surgiu para atender à demanda por pesquisa científica e formação de profissionais voltados ao aprimoramento da pecuária zebuína. Apesar dos registros de estrangeiros desde a segunda turma de Zootecnia, em 1975, a internacionalização foi impulsionada em 2002, a partir de parceria firmada com a Asociación Boliviana de Criadores de Cebú (Asocebú). Atualmente, a parceria entre ABCZ, Asocebú Bolívia e Fazu já soma 24 anos, e os bolivianos representam cerca de 80% dos alunos estrangeiros da instituição.
Com o passar dos anos, a reputação da faculdade passou a atrair estudantes de outros países da região. É o caso de Luis Velasco, de Barinas, na Venezuela, atualmente no terceiro período de Zootecnia. Segundo ele, o curso oferece uma formação ampla voltada à realidade da produção agropecuária. “Vejo que o curso tem enfoque em todas as áreas que envolvem uma fazenda, como cultivo de pastagens, manejo sanitário, rentabilidade, sustentabilidade, reprodução e criação de muitos tipos de animais, além da gestão de pessoas. Todos esses são conhecimentos que eu quero ter para voltar ao meu país e levar ideias novas para melhorar a produtividade lá”, explica.
Luis conta que conseguiu estudar na Fazu por meio de um convênio entre a ABCZ e a Asocebú Venezuela. “Os avanços nas áreas pecuárias no Brasil são muito grandes, e o clima e a produção animal são muito parecidos com o restante do trópico da América do Sul”, afirma.
Neste semestre, foi a vez de David Esteban se aventurar no país. Calouro de Zootecnia, ele veio de Santo Domingo, no Equador. Também interessado em animais de grande porte, veio motivado pelas possibilidades acadêmicas e extracurriculares oferecidas pela Fazu. “Acredito que, graças à formação que estou recebendo aqui, poderei ter um desempenho melhor na minha área, que é a produção de gado leiteiro zebu, especificamente das raças Gir e Girolando”.
Além da Zootecnia, cursos como Agronomia, Gestão do Agronegócio e Medicina Veterinária também têm atraído estudantes estrangeiros. Entre eles está Valeria Soto, natural de Guápiles, na Costa Rica, que ingressou em Medicina Veterinária. Filha de produtor rural, ela conta que sempre esteve em contato com a vida no campo. “Minha família me deu todo o apoio e confiança para estudar fora. É uma decisão que poucas pessoas conseguem tomar, então não queria deixar essa oportunidade passar. Também recebi ótimas recomendações sobre a Fazu”, afirma Valeria.




