Ferramenta foi testada em animais do Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens
Identificar problemas reais e propor soluções é a base da inovação tecnológica. Na Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba), os alunos do curso de Agrocomputação são incentivados a observar as demandas do mercado e, a partir delas, desenvolver ferramentas. Com essa proposta, a turma do Projeto Integrador I criou um protótipo de termógrafo para bovinos.
Em fase de coleta de dados, o equipamento foi testado nesta quinta-feira (14), na Fazenda Escola da Fazu, em animais do TDEA-PNAT (Teste de Desempenho e Eficiência Alimentar do Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens). O projeto é supervisionado pelo professor de Agrocomputação, Janderson Cardoso.
“O equipamento tem como objetivo realizar a avaliação térmica de determinadas regiões do animal. Durante o processo de medição, seja no tronco de contenção ou em outro momento, o tratador, zootecnista ou médico-veterinário pode verificar se existe algum tipo de desequilíbrio térmico. A tecnologia pode ser utilizada para diversas finalidades, desde identificar o início de uma mastite ainda não perceptível ao toque até detectar algum tipo de infecção em estágio inicial”, explicou Janderson.
O aluno Idenilson Ítalo de Lima participou da coleta de dados com o protótipo no PNAT. Segundo ele, o projeto surgiu justamente da observação de um equipamento já utilizado na Fazu, mas que poderia ser desenvolvido do zero, adaptado e aprimorado. “Junto com os outros alunos, pensamos em desenvolver a ferramenta de termovisão. Agora, a próxima etapa, a partir dos dados obtidos no PNAT, é evoluir a ferramenta. O passo seguinte é incluir uma câmera para termos um comparativo com a imagem real em RGB e também ampliar o banco de dados. Depois, queremos incluir a leitura RFID, para identificar em qual animal está sendo feita a coleta das informações”, destacou.
O professor Janderson complementa que o projeto representa o desenvolvimento de uma tecnologia de grande relevância, com potencial de inovação no mercado. “Estamos começando com um pequeno protótipo desenvolvido aqui dentro da instituição, mas já conseguimos visualizar diversas oportunidades. A equipe está trabalhando continuamente na evolução do equipamento, com novas versões e melhorias. A ideia é transformar isso em uma startup e fazer com que o projeto se torne uma oportunidade real de negócio, e não apenas algo que fique na prateleira”, afirmou.
Os testes para coleta de dados ocorreram em um momento estratégico, no início da mensuração dos animais participantes da edição 2026 do programa. Vale ressaltar que o TDEA-PNAT é uma iniciativa da ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) que impacta diretamente a seleção genética do rebanho nacional. Dessa forma, o ambiente de prova exige alto nível técnico em todos os processos envolvidos, o que qualifica ainda mais os testes realizados com o termógrafo.
Por fim, Janderson destaca que a iniciativa busca transformar o contexto do curso, assim como a trajetória dos alunos, que estão sendo preparados não só para desenvolver soluções tecnológicas, mas também para empreender a partir delas.

