Tecnologia no campo: alunos da Fazu criam sistema automatizado para melhorar bem-estar de coelhos

Quando se fala em produção animal eficiente, a tecnologia caminha lado a lado com o agronegócio. Nos mais diversos setores produtivos, a precisão garante ganhos significativos — por isso, o tema é abordado desde a graduação até o mercado de trabalho.

Em Uberaba (MG), a Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba) conta com diversos setores produtivos, com projetos em desenvolvimento. Uma dessas iniciativas está na cunicultura — criação de coelhos —, que recebeu a implantação de um sistema automatizado de ventilação. A tecnologia utiliza sensores que monitoram temperatura e umidade 24 horas por dia. Quando os níveis fogem do ideal, o sistema aciona automaticamente a ventilação do ambiente. A solução foi idealizada pelo curso de Agrocomputação e hoje auxilia diretamente alunos de Zootecnia e Medicina Veterinária.

Segundo o professor de Agrocomputação, Gill Mayeron, o projeto nasceu diante de uma situação real. “Houve uma demanda da Zootecnia em relação ao controle da temperatura no galpão dos coelhos. Como já existia ventilação, identificamos a possibilidade de automatizar esse processo”, explica.

O professor destaca ainda que o projeto une teoria, prática laboratorial e aplicação. “Trabalhamos com o conceito de IoT, a Internet das Coisas. Desenvolvemos tanto o hardware quanto o software, responsáveis pela leitura dos sensores e pelo acionamento da ventilação, sempre seguindo parâmetros definidos pela Zootecnia.”

A professora e zootecnista Danielle Matarim reforça a importância do controle ambiental para a espécie. “Os coelhos têm dificuldade em perder calor por meios convencionais, como a transpiração. Como estão em um ambiente fechado, é fundamental controlar a temperatura para garantir o bem-estar. Antes de controlar, precisamos medir. Esses sensores são essenciais para monitorar as condições ao longo do dia e do ano, permitindo ações mais precisas e até a adoção de novas estratégias de manejo”, afirma.

Para os alunos envolvidos, a experiência proporciona uma experiência real no mercado. “Esse projeto representa muito bem o curso de Agrocomputação. Estamos desenvolvendo uma solução tecnológica para resolver um problema real na produção animal. Foi uma experiência extremamente enriquecedora para a minha formação”, relata Jonatas Artagnan, estudante participante.

Com o sistema de automação já implantado, a solução agora passa a auxiliar novas pesquisas, é o caso da aluna da Medicina Veterinária Sophia Lara, que desenvolve um projeto de iniciação científica na cunicultura. “O objetivo é analisar parâmetros fisiológicos dos coelhos e verificar se a temperatura considerada ideal, que na literatura diz que é de 22°C, onde vamos verificar se esses animais têm uma boa adaptação ou não em diferentes tipos de temperaturas ou umidade”, explica.

A iniciativa conta ainda com o apoio de empresas parceiras de tecnologia. A Play Soluções contribuiu com a infraestrutura de transmissão de dados. Já a Vimac Soluções é responsável pela plataforma IoT utilizada no projeto.